Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Título Original: The Girl With the Dragon Tattoo
Direção: David Fincher

Roteiro: Steven Zaillian
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Stellan Skarsgård, Christopher Plummer, Joely Richardson
Ano: 2012

“Os Homens que Não Amavam as Mulheres” é a adptação para a telona da primeira parte da trilogia literária do sueco Stieg Larsson. E o trabalho foi tão bem feito, que dá vontade de ler os livros assim que os créditos sobem…

Na trama, jornalista desacreditado (o atual James Bond, Daniel Craig) é contratado por um milionário para desvendar o mistério do sumiço de sua sobrinha ocorrido há 40 anos. Enquanto vasculha os podres da família da desaparecida, Mikael tem que lidar com a filha e a sua religião, a amante e um processo movido contra ele por outro milionário, o qual teria sido caluniado por ele por meio da revista Millenium. Isso tudo já daria um bom filme, não é? Porém, não o diferenciaria de muitos outros do gênero. E é nessa tentativa (certeira) de diferenciá-lo que está o sucesso da obra de Larsson, ao tirar o foco de Mikael e levá-lo para Lisbeth Salander, a anti-heroína dos tempos modernos.

Lisbeth é uma jovem de 23 anos, tutelada pelo estado devido ao seu temperamento explosivo. Trabalha em uma empresa de segurança, onde “vasculha” a vida dos clientes (entre eles, Mikael). E é ela, sem sombra de dúvida, a personagem principal da história. O diretor David Fincher (A Rede, Zodíaco, Clube da Luta) já entrega essa característica logo de cara, seja no título original (The Girl with the Dragon Tattoo), no estranho emaranhado formado nos créditos iniciais ou, principalmente, ao mesclar mais de uma hora de filme entre as investigações de Mikael e os problemas particulares vividos por Lisbeth. Quando os dois finalmente se encontram – ela se torna sua assistente – sente-se uma sensação de alívio, pois assim acreditamos que Mikael poderá resolver o mistério da desaparecida e Lisbeth, finalmente, terá um propósito na vida, um futuro reconfortante para alguém que já sofreu muito, culminando na violência física e psicológica que sofreu nas mãos do novo tutor. E essa necessidade de juntar os dois fica clara desde o início da projeção, quando vemos Mikael acuado pela decisão judicial enquanto Lisbeth enfrenta a possível perda do tutor que a protege. Ela sabe se virar sozinha, usando a força se preciso, ameaçando e não ligando para a dor; já ele, é alguém que precisa de ajuda, que se permite ser controlado até nos assuntos sexuais (basta ver que, tanto com sua editora quanto com Lisbeth, ele sempre obedece as ordens que elas dão).

Entretanto, apesar de aparentemente se completarem – afinal, um precisa do outro – , o filme de Fincher termina um tanto amargo, com um final considerado “aberto” por parte da crítica e do público. Talvez isso seja decorrente ao triste desfecho reservado à Lisbeth. Mesmo assim, sua intérprete (que já havia trabalhado com Fincher em A Rede Social) foi lembrada pela Academia e concorre ao Oscar de Melhor Atriz na Cerimônia do Oscar 2012.

Em resumo, os 158 minutos de projeção, com brilhante trabalho de produção de arte e fotografia, prendem o espectador, deixando um gostinho de “quero mais”. Portanto, enquanto as demais adaptações não chegam, corra pra livraria mais próxima e se delicie na obra-prima do sueco Larsson.

Só para constar, independente das premiações, Craig e Mara já têm contrato para retornarem aos seus papéis quando forem adaptadas as outras duas partes da trilogia, “A Menina Que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”. Fincher demonstrou interesse em dirigir ambos os filmes, simultaneamente. E, nesses livros, a vida de Lisbeth não melhora muito, pelo contrário; talvez seja esse o motivo do final deste primeiro filme: nos preparar para o pior.

Patrícia Quintas
27/01/2012

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

  1. Tuca Passarelli disse:

    Vá para os livros. Só achei em inglês (versão PDF), mas dá prá ler sem muito malabarismo. Bons mesmo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s