Nebraska

nebraskaTítulo Original: Nebraska
Direção: Alexander Payne
Elenco: Bruce Dern, Will Forte
Ano: 2013

É quase diário recebermos via mensagem no celular a informação de que ganhamos algo: casas, carros, entre outros prêmios magníficos, que nos tentam a entrar em contato imediatamente com o remetente para sabermos como retirar o grande prêmio. Porém, como amplamente noticiado, tais prêmios (na grande maioria das vezes) não existem, sendo mais um golpe aplicado por ladrões na tentativa de tirar nosso dinheiro, descobrir nossos dados bancários, etc. Eu e você, que está lendo esse texto, sabemos disso. Mas, e um velhinho, alcoólatra e senil, sabe? Provavelmente não. E aí está o filme dirigido com delicadeza por Alexander Payne (Os Descendentes).

Woody Grant é o tal velhinho que mencionei. No filme, ele recebe uma daquelas promoções em papel que vinha (ou ainda existem?) nas revistas de assinatura, afirmando que ele ganhara 1 milhão de dólares. Então Woody não perde tempo. De qualquer forma – inclusive a pé! – ele resolve que tem que chegar ao Nebraska pra pegar seu prêmio. A mulher acha que ele está louco; o filho mais velho, que ele está bêbado novamente. Apenas o filho caçula, David, um vendedor de eletrônicos sem grandes ambições na vida, resolve levar o pai até o tão sonhado prêmio.

Típico filme de jornada na estrada para o auto-conhecimento (road movie), somos levados juntos nessa viagem, conhecendo um pouco mais sobre Woody: seu egoísmo (sair do carro pra beber sem avisar, por exemplo), sua teimosia e necessidade de vencer (a discussão da dentadura prova isso) e sua derrota (se um dia ele teve sonhos, ele não se lembra).

Interpretado brihantemente por Bruce Dern e pelo comediante Will Forte, Woody e David não criam empatia nos espectadores. Assistimos tudo aquilo incrédulos; afinal, não era mais razoável colocar Woody em um asilo como sugere a própria mulher? Mas talvez seja nesse aspecto que está a beleza do filme: fazer algo bom, mesmo não sabendo bem o porquê, mesmo que o outro – provavelmente – nunca tenha feito algo por merecer. David faz isso pelo pai; o pai, quer o dinheiro, e não tem nada a ver com a nova caminhonete ou com no novo compressor de ar (pra substituir o que foi roubado 20 anos antes).

Nessa jornada, Woody e David visitam a cidade natal do pai, revendo familiares e “amigos”, que ao invejarem a boa sorte do antigo morador da cidade, terão um gostinho amargo depois de terem roubado e ridicularizado o pobre velho doente. Woody, de boné novo, protagoniza uma vingança deliciosa planejada por David, a qual somente poderia acontecer após pai e filho finalmente conhecerem um ao outro e a si mesmos.

Patrícia Quintas
28/02/2013

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